Mochilando pelo Peru – relato da leitora Elisa Vasconcelos

     Quem é a leitora escritora? Elisa é leitora do Turistando, estudante de engenharia, aventureira de coração e mochileira. Aproveita as férias do trabalho e da faculdade para viajar o máximo que pode. Não importa se o destino é internacional ou a cachoeira mais próxima, o importante é se desprender da rotina e aproveitar o que o mundo tem a oferecer.

     Me chamo Elisa e acabei de voltar do Peru e Bolívia, passeio 23 dias mochilando por lá e quero contar para a Turistando como foi essa aventura. Minha viagem começou em Lima, fiquei 2 dias com um host que contratei pelo Coach Surfing  em San Borja que é um distrito residencial, possui uma arquitetura linda, bem característica e muitos parques e verdes. O esporte também é muito valorizado no distrito, há academias e balanças nos parques e passeios públicos. Aproveitei minha breve estada na região para uma longa caminhada e um treino de condicionamento no Parque de la felicidad. Em San Borja também tive meu primeiro contato com a culinária peruana, meu host me levou a um restaurante Chifa que é um estilo de comida chinesa com fortes influências da culinária peruana.

     Com a chegada de meu amigo e companheiro de viagem brasileiro, o Denis, passei a me hospedar em Miraflores no Pariwana Hostel, localizado em frente ao Parque Central e próximo às principais atrações turísticas. Caminhando pudemos conhecer o Larcomar, shopping localizado à beira-mar, incrustado em uma falésia, o Parque del Amor e o Parque Antonio Raimondi onde está localizado o Farol de la Marina. No Parque Antonio Raimondi há a prática de paragliding e muito esporte a céu aberto, além das academias públicas há muita gente se exercitando. Na ocasião aproveitamos que um grupo praticava slackline, (esporte de equilíbrio sobre uma fita de nylon, estreita e flexível) e nos juntamos a eles.

     Meu amigo aproveitou o dia de sol para fazer uma aula de surf, chegar à praia pode ser uma aventura, exige uma longa caminhada, pois toda a região estava em reforma para a construção de novas passarelas. As aulas de surf podem ser feitas na Praia Makaha, há inúmeras escolas, todas com preço tabelado, oferecem prancha, roupa e professor. Eu decidi não fazer esta aula, pois a água era muito fria e a praia de pedras não é muito atrativa. Neste dia decidi visitar Barranco.

     Barranco é um bairro boêmio de Lima, a partir de Miraflores pode-se chegar ao bairro de ônibus, taxi, bicicleta ou caminhando. Cheguei em Barranco caminhando, o bairro possui muitos parques, flores e merece destaque a Puente de los Suspiros, construção de madeira de 1876. Sob a ponte há a Barrada de Baños, linda rua que possui um mirante e acesso à praia.

     O centro histórico de Lima é de fácil acesso para quem está hospedado em Miraflores. No centro optamos por conhecer a Plaza de Armas, onde também encontramos a Catedral de Lima, o Palácio Arquiepiscopado de Lima e o Palácio do Governo. Próximo dali está o Convento de San Francisco que abriga o museu mais visitado de Lima: o Museu das Catacumbas. A entrada custa 7 soles e a visita pode ser guiada em inglês ou espanhol, durante a visita conhecemos a Igreja e Convento de São Francisco, além das catacumbas, onde os moradores da cidade eram enterrados. Também aproveitamos para conhecer o bairro chinês da cidade o qual lembra a Liberdade de SP.

     Finalmente embarcamos para Cusco, a viagem de Lima a Cusco de avião é linda, pela janela pode-se ver a linda geografia do Peru com suas regiões montanhosas. Já em Cusco, ficamos hospedados no The Point Hostel, tivemos um pequeno problema com valores no check-out, porém sua localização é ótima, próximo à Praça São Francisco e às principais atrações da cidade.

     Cusco, diferente de Lima que tem muitos descendentes europeus, possui uma população mestiça e a maior parte da população de origem quéchua. Nas ruas podemos ver inúmeras mulheres carregando seus filhos em panos amarrados nas costas e as crianças brincam livremente, longe de seus pais. Contrasta-se com a população o grande número de turistas, principalmente jovens mochileiros.

     O centro histórico de Cusco foi construído no século XVI, os hostels são construções da época, antigas casas de espanhóis com paredes de 1m de largura, muitos quartos e jardins internos. Os estabelecimentos localizados no centro histórico são todos construídos nesses antigos casarões. No primeiro dia saímos para conhecer a cidade, andamos pela Plaza de Armas e decidimos explorar a região ao norte da praça, indo até a Igreja e mirador de San Cristoban, não sabíamos que essa área tem muitas subidas e escadarias, portanto, não é uma boa opção para o primeiro dia em Cusco. Nos primeiros dias o ideal é não fazer esforço físico, andar pouco e somente no plano. Essa nossa pequena aventura do primeiro dia resultou em ânsia e dor de cabeça, o famoso soroche – mau da altitude.

     Nos dias seguintes visitamos os principais pontos de Cusco, existem várias opções de city tour para conhecer a cidade porém, optamos por conhecer os pontos mais tradicionais a pé, utilizando um mapa turístico da cidade e também pelo Free Walking Tour. Não deixe de visitar San Blas, o bairro é lindo, ruas estreitas, sem carro, casas com fundações ainda da civilização inca, algumas reformadas devido a terremotos e tem alguns restaurantes, cafés e lojinhas para a compra de souvenirs. Na Calle Triunfo está a pedra dos doze ângulos, que faz parte da base do antigo palácio do Inca Roca, sobre o qual os espanhóis construíram o atual Palácio do Arcebispado de Cusco.

   No nosso terceiro dia fizemos um tour pelo Vale Sagrado, existem várias opções, porém como nosso grande objetivo na região era a Trilha Inca e Machu Picchu, resolvemos fazer um tour rápido de um dia por Pisaq, Ollantaytambo e Chinchero. Nas agências o mesmo city tour pode variar de 25 a 85 soles. O valor não inclui o boleto turístico, o qual pode ser adquirido na prefeitura da cidade ou na entrada dos sítios arqueológicos. Há dois tipos de boleto, o parcial que vale para algumas ruínas por dois dias e que custa 70 soles, ou o integral que vale para todas as ruínas por 10 dias e custa 130 soles (possui meia para estudante com carteirinha ISIC por 70 soles).

     Nosso passeio foi com guia em espanhol, tanto em Pisaq quanto em Ollantaytambo visitamos as ruínas e passamos por mercados de artesanato locais. As ruínas são impossíveis de serem descritas, a paisagem é mágica e única, conhecer em detalhes as características de cada uma e as explicações de como e porque foram construídas é ideal. Nas ruínas pudemos conhecer uma civilização que já não mais existe e muito diferente da nossa realidade, o que torna qualquer detalhe interessante. Em Chinchero, além das ruínas conhecemos a igreja local, quando os espanhóis conquistaram a região, construíram igrejas católicas sobre os templos, em Chinchero pudemos visualizar claramente este contraste. Também tivemos uma demonstração da produção e tingimento da lã de alpaca na região.

     Depois de 4 dias de aclimatação em Cusco iniciou o grande objetivo de nossa viagem, a trilha Inca, basicamente é chegar ao Machu Picchu caminhando ao invés de pegar trem/ônibus e van é a mesma utilizada na época da civilização Inca. Normalmente a agência busca os turistas nos hotéis às 5h30, porém como era dia de eleição, o passeio começou às 9h30, no entanto, nossa agência não nos avisou desse detalhe, ou seja, ficamos esperando por 4 horas, e achando que haviam nos esquecido. O passeio tem inicio na Praça São Francisco, onde embarcamos em uma van para Ollantaytambo, após uma parada utilizar o sanitário e comprar alguns itens (tais como bastões de apoio) seguimos para o km 82 da ferrovia, local de início da trilha. Devido ao atraso de 4 horas tivemos o almoço antes de iniciar a trilha, este foi o momento que realmente conheci a cozinha peruana, os carregadores que nos acompanhavam na trilha, cozinhavam maravilhosamente bem. No primeiro dia caminhamos por 9 quilômetros, todos do grupo optaram por levar suas próprias mochilas com saco de dormir e colchonete, no único trecho de subida do dia, percebi que carregar minha mochila não tinha sido uma boa ideia. Neste dia pudemos observar a ruína de Llactapata. Acampamos em um vilarejo e por 5 soles, tivemos acesso a banho com água quente.

     No dia seguinte, eu e alguns integrantes do grupo decidimos contratar carregadores, por 90 soles eles carregam nosso material pessoal. Este dia é o mais pesado de todos, são 11 km de caminhada, 5 horas de subida, em torno de 2 horas de descida em degraus, durante o percurso atingimos o ponto máximo de 4200m acima do nível do mar. Neste percurso há duas paradas de descanso com venda de água e alimentos. O segundo acampamento está a 3800m de altitude, próximo a montanhas geladas, o rio que abastece o acampamento provém do gelo da montanha, por isso a água dos sanitários é congelante. Mesmo assim optei por um banho rápido, afinal, sou brasileira rs. No acampamento tivemos nosso almoço, merenda e jantar. A noite é fria, em dias secos a temperatura é ainda mais baixa.

     Também contratei um carregador para o terceiro dia que é o mais longo, andamos 16 quilômetros com trechos de subida e descida, passamos pelas ruínas de Runkurakay, Sayacmarka e Phuyupatamarka. Depois de chegar ao acampamento, visitamos a ruína de Winay Huayna. Por aqui o banho também é frio, porém por 5 soles podemos recarregar celular ou outros equipamentos eletrônicos no local. Neste dia também realizamos a cerimônia de despedida dos carregadores, aproveitamos o momento para conhecer todos e dar uma gorjeta.

     No quarto dia acordamos às 3h da manhã, isso para dar tempo dos carregadores desmontarem tudo e pegar o trem de volta a Ollantaytambo. Em seguida iniciamos o último dia de trilha, são apenas 6 km de caminho ondulado e por volta das 8h já estamos na porta do sol. Chegamos a Machu Picchu, que estava nublado e fizemos o passeio guiado. Mesmo sob nuvens o lugar é magnífico, as fotos não refletem sua grandiosidade, e é impossível não se questionar como tudo aquilo foi construído há 500 anos atrás.

     Para seguir até Águas Calientes pode ser a pé ou de ônibus, escolhemos ir a pé. Um dos cachorros que ficavam na entrada de Machu Picchu nos acompanhou por grande parte do caminho, nos deixou apenas para acompanhar um casal de mais idade. Chegando a Águas Calientes ficamos hospedados no Ecopackers. Na cidade encontrei um membro do Couchsurfing que me mostrou a cidade, e o hotel em que trabalha, o Inka Terra, ótima opção para quem dispões de US$ 500,00 para uma diária rs, em poucos minutos atravessamos toda a cidade. Alguns turistas aproveitam a tarde nas águas termais, mas vendo as fotos não tive muita certeza da higiene do local.

     No dia seguinte voltamos a Machu Picchu, dessa vez para subir até Wayna Picchu. Optamos por ir de ônibus, que custa US$ 10,00. Aproveitamos para visitar e tirar fotos de Machu Picchu sem nuvens e às 10h teve início nossa subida, o caminho até o pico de Wayna Picchu é todo em degraus com alguns trechos bem íngremes, porém a vista de lá de cima é maravilhosa, pessoas com medo de altura devem evitar o local, porém os demais não devem perder a oportunidade de ver Machu Picchu de cima. Somente 400 pessoas podem subir à montanha diariamente, por isso o agendamento deve ser feito com bastante antecedência. No retorno começou a chover, e a descida foi muito pior que a subida.

     De volta a Águas Calientes decidimos passar a tarde em um restaurante na Avenida Inca Pachacutec, a avenida possui inúmeros restaurantes, todos com happy hour o dia todo (4 bebidas por 20 soles) e Jenga. Retornamos de trem até Ollantaytambo e de van até Cusco. Fiquei mais um dia na cidade de Cusco, nesta vez no Hostel Kilombo que possui boa localização, ótimo preço e boa estrutura. Na noite seguinte me despedi do Denis e iniciei minha viagem solitária até a Bolívia. Conto tudo sobre a Bolívia no próximo post 🙂

Elisa Vasconcelos

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Sobre Luciana de Campos Assis

Turistar é minha vida! Cada viagem é única, transformadora e sempre apaixonante! Um vício mais do que delicioso! Já conheci cerca de 20% desse mundo; 122 cidades visitadas em 31 países e a parte mais gostosa é voltar pra casa e contar todos os detalhes aos leitores da Turistando com a Lu.

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